THE NATURAL BEAUTY PROJECT

THE NATURAL BEAUTY PROJECT

Uma série editorial da Bonavit sobre beleza, envelhecimento, identidade e a liberdade de continuar sendo você.

Uma série editorial da Bonavit sobre beleza, envelhecimento, identidade e a liberdade de continuar sendo você.

Quando envelhecer se tornou algo que precisava ser corrigido?


A partir desta edição, a Bonavit Magazine inicia uma série de artigos sobre um assunto que merece uma conversa mais profunda: a nossa relação com a beleza e com o envelhecimento. Nas próximas edições, vamos falar sobre beleza natural, autoestima, identidade, procedimentos estéticos, redes sociais e os padrões que vêm transformando a maneira como enxergamos o nosso próprio rosto.


Não queremos estabelecer uma maneira certa ou errada de envelhecer, muito menos julgar mulheres que escolhem realizar procedimentos estéticos. Cada mulher deve ter liberdade para decidir o que deseja fazer com a própria aparência. O que queremos questionar é algo diferente: em que momento envelhecer naturalmente passou a ser visto como algo que precisava ser corrigido?


Essa pergunta se torna ainda mais interessante quando observamos uma transformação que está acontecendo entre as novas gerações. Nunca se falou tanto em wellness. Ser saudável está em evidência. Alimentação, atividade física, sono, saúde mental, equilíbrio, longevidade e qualidade de vida deixaram de ocupar um espaço secundário e passaram a fazer parte de uma nova maneira de pensar o futuro. Mais do que simplesmente viver por mais tempo, existe um desejo crescente de viver melhor.


E talvez seja justamente aí que esteja uma das grandes questões dos próximos anos: como essas novas gerações escolherão envelhecer?


Se o wellness continuar ocupando um lugar tão importante na cultura contemporânea, será interessante observar se essa busca por saúde e longevidade também transformará nossa ideia de beleza. Talvez o conceito de “envelhecer bem” deixe, aos poucos, de significar simplesmente parecer mais jovem e passe a estar mais relacionado a vitalidade, disposição, equilíbrio e à maneira como nos sentimos dentro do próprio corpo. Talvez a beleza do futuro esteja menos ligada à tentativa de esconder a idade e mais relacionada à qualidade com que atravessamos os anos.


Envelhecer é um processo biológico natural. Com o passar do tempo, a pele muda, a produção de colágeno diminui, o rosto perde volume em determinadas regiões, os cabelos mudam e as linhas de expressão aparecem. Nada disso representa uma falha do organismo. São transformações naturais de um corpo que está atravessando o tempo.


Ainda assim, parece que nunca fomos tão pressionadas a esconder essas mudanças. E existe uma contradição interessante nisso. Mulheres de 40, 50, 60, 70 anos ou mais estão trabalhando, empreendendo, viajando, estudando, começando novos projetos e vivendo com uma liberdade que muitas gerações anteriores não tiveram. Estamos vivendo mais e fazendo mais, mas parece que recebemos uma nova obrigação: podemos envelhecer, desde que não pareçamos estar envelhecendo.


Talvez por isso frases como “você está ótima para a sua idade” ou “você parece muito mais jovem” sejam consideradas grandes elogios. Mas vale pensar no que existe por trás delas. Por que parecer mais jovem passou a significar necessariamente parecer melhor? Uma mulher que aparenta a idade que tem não está demonstrando falta de cuidado. Ela simplesmente tem um rosto que acompanhou a sua história.


Ao mesmo tempo, nunca estivemos tão expostas à aparência dos outros. Redes sociais, fotografias editadas, filtros e uma indústria cada vez maior de procedimentos estéticos passaram a fazer parte do nosso cotidiano. Quando determinados rostos e características aparecem repetidamente diante de nós, nossa própria percepção de normalidade pode começar a mudar. Aos poucos, aquilo que é produzido passa a parecer natural, enquanto aquilo que é natural começa a parecer imperfeito.


Não existe nada de errado em desejar mudar alguma coisa na aparência. Procedimentos estéticos podem ser escolhas legítimas, assim como escolher não fazê-los também deve ser. A questão está na diferença entre desejo e pressão. Estamos fazendo determinada mudança porque realmente queremos ou porque começamos a acreditar que existe alguma coisa errada conosco?


Também chama atenção a crescente semelhança entre determinados padrões de beleza. Lábios, sobrancelhas, contornos e formatos faciais se repetem nas redes sociais. Isso não significa que todas as mulheres que fazem procedimentos se tornam iguais, mas nos convida a pensar sobre algo importante: em nossa busca pela beleza, até que ponto estamos preservando aquilo que nos torna únicas?


Um rosto não é apenas uma superfície. Ele carrega genética, expressões, personalidade, ancestralidade e memória. A maneira como sorrimos, movimentamos os olhos ou franzimos a testa faz parte da nossa identidade. Com o passar dos anos, outras marcas chegam e passam a fazer parte dessa história.


Escolher uma aparência natural também não significa abandonar o autocuidado. Podemos cuidar da pele, dos cabelos, da alimentação e do corpo, usar cosméticos e maquiagem e continuar aceitando que o tempo produzirá mudanças. Cuidar não precisa significar apagar. E talvez seja justamente aqui que beleza e wellness comecem a se encontrar: quando o objetivo deixa de ser simplesmente parecer mais jovem e passa a ser sentir-se saudável, forte, presente e bem consigo mesma em cada fase da vida.


É essa conversa que queremos desenvolver ao longo de The Natural Beauty Project. Nas próximas edições, vamos aprofundar a influência das redes sociais, a popularização dos procedimentos estéticos, a relação entre autoestima e aparência, a padronização dos rostos, o crescimento da cultura do wellness e as escolhas de mulheres que decidiram seguir caminhos diferentes em relação ao envelhecimento.


Não estamos procurando descobrir quem envelhece da maneira certa. Queremos fazer uma pergunta muito mais interessante: diante de tantas possibilidades de mudar nossa aparência e de tanta pressão para permanecermos jovens, ainda estamos escolhendo livremente?


Durante muito tempo, entendemos liberdade estética como a possibilidade de mudar aquilo de que não gostamos. E essa liberdade é importante. Mas existe outra que também merece espaço: olhar para todas as possibilidades disponíveis e decidir que algumas coisas simplesmente não precisam ser modificadas.


Talvez as próximas gerações nos mostrem uma nova maneira de pensar a beleza. Se saúde, longevidade e bem-estar estão se tornando valores tão importantes, talvez envelhecer bem deixe de significar parecer que o tempo não passou e passe a significar estar bem enquanto ele passa.


E talvez essa seja uma das perguntas mais importantes que esta série pretende acompanhar: como queremos envelhecer?